Por Fernando Pacífico e Régis Melo — Campinas, SP
Torneio saiu da Argentina e foi confirmado no país, que ainda discute sinal verde diante de indefinição dos estados
A escolha do Brasil como novo país-sede da Copa América após uma reviravolta tirar o torneio de Colômbia e Argentina provocou críticas da médica infectologista Raquel Stucchi, da Unicamp.
Ao avaliar o atual momento da pandemia da Covid-19 na região de Campinas, ela considerou que há uma tendência de piora do cenário nos próximos dias por conta das medidas de flexibilização aplicadas pelos municípios e autorizadas pelo Plano SP.
- Mas teremos Conmebol, a cova das Américas. Com isso, nosso cenário vai se tornando cada vez mais trágico, desesperançoso, desanimador, tudo isso que estamos vivenciando neste país - afirmou Stucchi.
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Copa América seria em 2020, mas foi adiada para 2021 — Foto: Getty Images
Após reunião emergencial nesta segunda-feira, a Conmebol decidiu por transferir para o país a realização do torneio, que seria inicialmente na Colômbia e na Argentina. Houve uma consulta nesta segunda-feira ao governo federal, que ainda discute o sinal verde para o torneio. A entidade agradeceu ao presidente Jair Bolsonaro e à CBF por "abrir as portas desse país".
No entanto, dados atualizados pelo G1 até 31 de maio mostram que a média móvel de mortes por Covid-19 está em alta em cinco estados. Há estabilidade em 13 e no Distrito Federal, enquanto a redução foi verificada em oito estados.
Alguns governos estaduais já se manifestaram sobre a realização dos jogos. Confira o posicionamento de cada um e como está a situação de cada em relação à pandemia:
- Minas Gerais: recusou - está estável
- Pernambuco: recusou - está estável
- Rio Grande do Norte: recusou - casos em queda
- Rio Grande do Sul: recusou - está estável
- Amazonas: sem oposição - está estável
- Bahia: sem oposição - está estável
- São Paulo: sem oposição - está estável
- Mato Groso: manifestou interesse - está estável
Segundo Raquel Stucchi, a melhora da situação no interior de SP nas próximas quatro a seis semanas depende da imposição de medidas para restrição de circulação, e de aceleração da vacinação da população.
- Infelizmente a tendência é de uma piora, com aumento do número de casos e necessidade de internações. Houve opção por flexibilização, quando ainda tínhamos taxa de ocupação de leitos muito alta [...] tivemos duas manifestações nos últimos dez dias, que fazem parte da receita para o coronavírus viver feliz, e teremos um cenário muito triste e trágico nos próximos dias. Para os próximos dias nós não temos como evitar, teríamos se não nos aglomerássemos.