Moro: "Nossas únicas armas serão a verdade, a ciência e a justiça"

Moro: "Nossas únicas armas serão a verdade, a ciência e a justiça"

Ex-juiz também defendeu o respeito ao papel da imprensa e criticou duramente a proposta lulista de "controle social" do trabalho jornalístico

Em seu discurso de filiação ao Podemos, Sergio Moro criticou o negacionismo e a política do ódio, além dos ataques e tentativas de cercear o papel da imprensa. “Nossas únicas armas serão a verdade, a ciência e a justiça. Trataremos a todos com caridade e sem malícia.”

“Respeitaremos aqueles que gostam e aqueles que não gostam de nós. O Brasil é de todos os brasileiros e nosso caminho jamais será o da mentira, das verdades alternativas ou de fomentar divisões ou agressões de brasileiro contra brasileiro. Incluo aqui nessa atitude de respeito e generosidade, a imprensa. Chega de ofender ou intimidar jornalistas. Eles são essenciais para o bom funcionamento da democracia e agem como vigilantes de malfeitos dos detentores do poder.

Segundo Moro, a liberdade de imprensa deve ser ampla. “Jamais iremos estimular agressões. Jamais iremos propor o controle sobre a imprensa, social ou qualquer que seja o nome com que se queira disfarçar a censura e o controle do conteúdo. Isso vale para mim e para qualquer pessoa que queira nos apoiar.” 

O ex-ministro também ressaltou a necessidade de “proteger a família brasileira contra a violência, contra a desagregação e contra as drogas que ameaçam nossas crianças, jovens e adultos”.

“Propomos incentivar a virtude e não o vício, uma sólida formação moral e cidadã. Nosso projeto de redução da criminalidade violenta, do combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas precisa ser retomado com todo o vigor, sempre na forma da Lei, e buscando recuperar aqueles que se desviaram do bom caminho. Mas agiremos sempre com a compreensão de que nessa nossa sociedade cada vez mais plural todos merecem ser tratados com respeito e sem qualquer forma de discriminação. Precisamos de uma sociedade inclusiva, que acolha as diferenças, e precisamos também de uma sociedade que respeite todas as crenças e religiões.”

Se eleito, Moro promete criar "Força-Tarefa de Erradicação da Pobreza"

Ex-juiz se inspira no modelo da Lava Jato, com atuação permanente para atuar "como uma agência independente e sem interesses eleitoreiros"

Sergio Moro já tem um esboço de seu plano de governo e disse, em seu discurso de filiação ao Podemos, que uma das prioridades “será erradicar a pobreza, acabar de vez com a miséria”. Para isso, ele diz que será criada uma “Força-Tarefa de Erradicação da Pobreza”, inspirado no modelo de sucesso da Lava Jato.

“Isso já deveria ter sido feito anos atrás. Para tanto, precisamos mais do que programas de transferência de renda como o Bolsa-Família ou o Auxílio-Brasil. Precisamos identificar o que cada pessoa necessita para sair da pobreza. Isso muitas vezes pode ser uma vaga no ensino, um tratamento de saúde ou uma oportunidade de trabalho. As pessoas querem trabalhar e gerar seu próprio sustento. Precisamos atender a essas carências com atenção específica. E, como medida prioritária, sugerimos a primeira operação especial: a criação da Força-Tarefa de Erradicação da Pobreza, convocando servidores e especialistas das estruturas já existentes.”

Segundo o ex-juiz, será “uma força-tarefa permanente e atuará como uma agência independente e sem interesses eleitoreiros”.

“Muita gente pensa que isso é impossível, como diziam que era impossível combater a corrupção. Não é, e nem precisa destruir o teto de gastos ou a responsabilidade fiscal para fazê-lo. Nós podemos erradicar a pobreza e esse é o desafio da nossa geração.”

"As estruturas do poder foram capturadas", diz Moro

Sergio Moro ressaltou em seu discurso, em tom de campanha presidencial, que “as estruturas do poder foram capturadas, passaram a servir a si mesmas e já não servem ao povo”. Ele relacionou a corrupção às mazelas sociais.

“Todas essas coisas estão relacionadas: se o Brasil está parado e não vai adiante, não é porque não sabemos o que precisamos fazer. Ninguém tem dúvida de que precisamos melhorar a vida das pessoas. Todo mundo também sabe que quem desvia dinheiro público tem que ser punido e não premiado. 

Todo mundo sabe que o dinheiro desviado é o hospital e a escola sucateadas. O problema é que não conseguimos fazer o que sabemos que precisamos fazer, porque as estruturas do poder foram capturadas. Elas passaram a servir a si mesmas e já não servem ao povo.”

Segundo ele, “parte disso é corrupção, como a que vimos e nos assustou na Lava Jato. Mas outra parte é a degeneração maior da vida política: a busca do interesse público foi substituída pela busca egoísta dos interesses próprios e dos interesses pessoais e partidários”.

“É a máquina pública voltada para si mesma. Isso explica por que o Brasil continua sem futuro, com o povo brasileiro sem justiça, sem emprego e sem comida. Eu sonhava que o sistema político iria se corrigir após a Lava Jato. Que a corrupção passaria a ser coisa do passado e que o interesse da população seria colocado em primeiro lugar. Isso não aconteceu, infelizmente. E embora tenha muita gente boa na política, nós não vemos grandes avanços.”

O Antagonista

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