O Clube Regatas do Flamengo, time que tem mais de 45 milhões de torcedores parabenizou, em sua conta oficial, a capital do Acre, Rio Branco, pela passagem do aniversário, lembrado nesta terça-feira, dia 28. A cidade completa 139 anos de emancipação e tem uma série de atividades para lembrar a data.
O Acre é um dos estados onde existe maior número de flamenguistas, proporcionalmente.
A mensagem de lembrança sobre Rio Branco foi enviada por meio das redes sociais do clube carioca, e rendeu milhares de curtidas e comentários positivo para a cidade que abriga dezenas de milhares de flamenguistas.
“Hoje é o aniversário de 139 anos de Rio Branco! Parabéns para a capital do Acre e para todos os rubro-negros locais!”, publicou o clube rubro-negro.
Espaço A, local de eventos em Rio Branco, vai ficar pequeno para a torcida do Flamengo na tarde deste sábado (27) durante a final da Libertadores. A AcreFlanáticos, torcida organizada do time carioca, promete uma festa no local para fazer os rubro-negros se sentirem no estádio Centenário em Montevidéu, capital do Uruguai, onde o Flamengo disputa o tri da Libertadores contra o Palmeiras.
Para isso vão montar uma super estrutura que contará com telões de led, dois ambientes, segurança, espaço infantil, feijoada, pagode, samba e DJs.
A organização do evento informa que ainda há ingressos à venda.
A final entre paulistas e cariocas acontece no estádio Centenário em Montevidéu, capital do Uruguai, às 17 horas (horário de Brasília) e às 15h (horário do Acre).
Vínculo do camisa 10 se encerra em 31 de dezembro, mas clube já decidiu que irá propor renovação. Tendência é que negociação aconteça sem dificuldades: "Construímos uma relação de lealdade"
Por Redação do Ge — Rio de Janeiro
O Flamengo já decidiu propor a renovação, e Diego também já deixou claro que seu futuro é no Flamengo. O contrato do camisa 10 se encerra no próximo dia 31 de dezembro, e o desejo é prolongar sua permanência até que decida se retirar dos gramados.
Em entrevista ao podcast "Barbacast", Diego tratou com naturalidade a continuidade no clube e deu a entender que a resolução de um novo vínculo não será problemática. Aos 36 anos, o meia deixou o futuro nas mãos do clube, mas admitiu que deseja se aposentar vestindo vermelho e preto.
"É uma forte possibilidade encerrar a carreira no Flamengo. Tenho uma ligação muito forte com esse clube, estou muito feliz aqui, respeito muito os planos da diretoria. Nós temos algo em comum, que é o bem do Flamengo"
- É o que eu quero. Estou aqui sempre de corpo e alma. Quero tanto o bem do Flamengo que se um dia o clube falar que o melhor é encerrar a parceria, excelente, sensacional. É o que eu quero? Não. Mas construímos uma relação de lealdade.
Questionado se seguir os passos do ex-companheiro Juan, que se aposentou e seguiu como funcionário do clube, é uma opção, Diego foi mais comedido. Apesar de deixar a possibilidade em aberto, falou da rotina sacrificante de atleta e da necessidade de passar mais tempo com a família.
"É uma possibilidade, não é uma certeza. São 20 anos como profissional e a vida do jogador exige muito mentalmente, fisicamente. A presença como pai, amigo, esposo..."
- Tudo isso precisará ser reavaliado porque é necessário um descanso. Mesmo eu que sou movido a desafios. Penso em seguir projetos que estão construídos, mas futebol está na minha veia, o Flamengo está na minha veia. É uma possibilidade.
Contratado em 2016, Diego soma 244 jogos, 42 gols e dez títulos pelo Flamengo. O meia está à disposição de Renato Gaúcho para enfrentar o Palmeiras, domingo, às 16h (de Brasília), em São Paulo, pela 20ª rodada do Brasileirão.
Chegou a hora de dizer adeus. Após 704 dias desde sua apresentação, Gerson faz nesta quarta-feira, contra o Fortaleza, seu último jogo pelo Flamengo. São 108 partidas, oito títulos e um lugar de destaque na história do clube. Agora, seu futuro é no Olympique de Marselha, da França. Mas relação com o Flamengo continua. Ele volta a ser só mais um torcedor.
Confira a linha do tempo da trajetória de Gerson no Flamengo:
Sonho realizado
No dia 12 de julho de 2019, o Flamengo anunciou a compra de Gerson, então com 22 anos. O Roma divulgou o valor de € 11,8 milhões (cerca de R$ 49,7 milhões). O clube brincou ao postar uma "conversa" entre o volante e o técnico Jorge Jesus.
No Ninho!
Em sua apresentação oficial, Gerson falou da realização do sonho de infância de vestir a camisa do clube do coração e disse ter evoluído na parte defensiva durante o período na Europa.
A estreia!
A desconfiança de parte da torcida começou a ser demolida a partir do dia 21 de julho, na estreia de Gerson. No 1 a 1 contra o Corinthians, em Itaquera, ele atuou como meia pelo lado esquerdo. Com o passar do tempo, passou a se firmar como volante.
O primeiro gol
O primeiro gol não demorou a sair. No dia 28 de julho de 2019, em seu terceiro jogo, ele marcou na vitória por 3 a 2 sobre o Botafogo, no Maracanã.
Na história!
Gerson se tornou um dos pilares do time e foi protagonista nas conquistas da Libertadores e Brasileiro de 2019. Sua comemoração do "Vapo" caiu nas graças da torcida. A festa grandiosa no retorno do time do Peru coroou o versátil volante, que desfilou pela Presidente Vargas com uma máscara do Coringa.
Reconhecimento
O bom desempenho na conquista do título, que foi confirmado enquanto o time estava dentro do ônibus após a festa da Libertadores, rendeu a Gerson um lugar na seleção do campeonato, junto com outros oito jogadores rubro-negros.
Vapo em dose dupla
epois de ajudar na conquista do título da Supercopa de 2020, contra o Athletico, Gerson foi decisivo na segunda conquista da temporada, a Recopa Sul-Americana. No segundo jogo da final, o Flamengo venceu o Independiente del Valle por 3 a 0, e o camisa 8 marcou duas vezes. Foi o primeiro título internacional do clube no Maracanã.
Está nascendo um novo líder!
Com o Flamengo desfalcado devido a um surto de Covid, Gerson é um dos melhores em campo no empate em 1 a 1 com o Palmeiras. Em um time repleto de garotos, o volante chamou a responsabilidade junto com Arrascaeta, Pedro e Thiago Maia. A partir dali, passou a se mostrar como uma referência para os mais jovens.
O caso Ramírez
Um dos destaques do Flamengo no Campeonato Brasileiro, Gerson acusou de injúria racial o meia Ramirez, do Bahia, na vitória do Flamengo por 3 a 2, no Maracanã, em 20 de dezembro. O volante alegou que o adversário se dirigiu a ele com a frase “Cala a boca, negro”. Dois meses mais tarde, o STJD arquivou o inquérito por falta de provas.
O ano do Vapo
Bicampeão com o Flamengo, Gerson é eleito novamente para a seleção do Campeonato Brasileiro em 26 de fevereiro. O volante foi visto como um dos nomes mais importantes e regulares na campanha do título rubro-negro.
Último gol?
Em 5 de abril, Gerson marcou aquele que é, até agora, seu último gol pelo Flamengo. Foi na vitória por 5 a 1 sobre o Madureira, pelo Campeonato Carioca.
100 vezes
Na goleada por 4 a 1 sobre a Unión La Calera, do Chile, pela Libertadores, em 27 de abril, Gerson completou 100 jogos com a camisa do Flamengo. Na partida seguinte, ele foi homenageado pela diretoria.
Adeus anunciado
Em uma negociação que durou quase um mês entre a primeira proposta e o acerto final, Flamengo e Olympique de Marselha anunciaram em 9 de junho um acordo para a venda do volante. O clube vai receber 25 milhões de euros, com bônus que podem aumentar o valor para 30 milhões de euros, e ainda terá direito a 20% do valor de uma futura transferência.
"Dever a cumprir"
Eleito o melhor em campo na vitória sobre o América-MG, Gerson fala pela primeira vez sobre sua saída. Emocionado, ele ressaltou que ainda não queria pensar na despedida: “Para falar a verdade estou pensando em deixar isso depois. Ainda tenho mais três jogos pelo Flamengo. É continuar trabalhando firme, focado, ainda tenho um dever a cumprir e tento ficar o mais possível focado”.
Convocado!
Em 17 de junho, Gerson é convocado por André Jardine para a seleção olímpica do Brasil. O volante já havia conseguido a liberação do Olympique e estará na Olimpíada de Tóquio para buscar a segunda medalha de ouro do futebol masculino nos Jogos.
O duelo entre São Paulo e Flamengo, hoje (14), em um Morumbi com quase 50 mil torcedores, foi decidido em dez minutos. Com dois gols nos primeiros três minutos e a expulsão de Calleri sete minutos depois, o time rubro-negro goleou por 4 a 0 no reencontro com o técnico Rogério Ceni e manteve a esperança de conquistar o tri do Campeonato Brasileiro. Gabigol, Bruno Henrique e Michael (2) anotaram os gols cariocas, comprometendo a situação do Tricolor nas últimas colocações nesta reta final de competição.
Essa foi a segunda vitória consecutiva do Flamengo, que no meio de semana havia batido o Bahia por 3 a 0 no Maracanã. Foi também a segunda goleada rubro-negra sobre o São Paulo. No primeiro turno, no Maracanã, o placar havia sido de 5 a 1. O resultado levou a equipe de Renato Gaúcho à vice-liderança, superando o Palmeiras, com 60 pontos. O Rubro-Negro tem oito pontos de desvantagem para o líder Atlético-MG, faltando apenas sete partidas para cada uma das equipes encerrar sua participação no campeonato.
O São Paulo, por sua vez, completa sua terceira partida sem vitória. Antes de cair diante do Flamengo, o Tricolor havia perdido para o Bahia, na Fonte Nova, e empatado com o Fortaleza, no Castelão. Com isso, a equipe segue estacionada na 15ª colocação, com 38 pontos, sob risco de rebaixamento. O time tem cinco de vantagem sobre o Juventude, que abre a zona do descenso.
O próximo jogo do Flamengo será novamente contra um paulista. Na quarta-feira, às 21h30, o Rubro-Negro encara o Corinthians, no Maracanã. O São Paulo também tem um confronto complicado. No mesmo dia, o Tricolor tem pela frente o clássico contra o Palmeiras, que vem de seis vitórias consecutivas no Brasileirão, no Allianz Parque.
O melhor: ataque rubro-negro
Fica difícil eleger o melhor jogador do Flamengo nesse duelo, tamanha a fluidez de seus jogadores de ataque. Se Gabigol teve o faro de artilheiro para abrir o placar, Bruno Henrique também fez o mesmo no segundo gol e ainda deu duas assistências. Michael, um xodó do técnico Renato Gaúcho, também voltou a ficar entre os destaques rubro-negros. Anotou um golaço, fez mais um na etapa final, tornando-se o artilheiro do Brasileirão, e contribuiu com um passe para gol, o que mostra a força ofensiva dos cariocas.
Vitória no Morumbi é algo raro
Fazia dez anos que o Flamengo não conquistava uma vitória no Morumbi. A última delas aconteceu no Brasileirão de 2011, por 2 a 1, com gols de Thiago Neves e Ronaldinho Gaúcho. Depois disso, foram seis triunfos tricolores e quatro empates. Essa foi também a segunda vitória -e por goleada- do Flamengo sobre o São Paulo nesta temporada. No primeiro turno, o Rubro-Negro havia aplicado 5 a 1 sobre o Tricolor. O retrospecto é o oposto do que aconteceu na temporada passada, quando o São Paulo ganhou os quatro confrontos diretos.
Gols-relâmpago decidem a partida
A defesa do São Paulo parecia atordoada no começo da partida. O primeiro gol, logo a 1 minuto de jogo, desestabilizou o setor e virou uma presa fácil para o rápido ataque do Flamengo. Foi Liziero quem perdeu a bola para Andreas Pereira na intermediária. A bola chegou a Bruno Henrique, que acionou de primeira Gabigol para abrir o placar. Dois minutos depois, foi a vez de Bruno Henrique marcar dentro da pequena área. Ele recebeu cruzamento de Michael, que foi lançado pela esquerda e passou fácil por Diego Costa antes de fazer a assistência.
Expulsão completa tragédia tricolor
Se começar a partida com dois gols de desvantagem em um Morumbi lotado já era difícil para o São Paulo, a situação terminou de se complicar aos 10 minutos. Em uma saída de bola do Flamengo com David Luiz, Calleri foi afoito com um carrinho e acertou a perna do beque rubro-negro com a sola. Levou cartão amarelo, mas após o lance ser revisado em vídeo pelo juiz Leandro Pedro Vuaden, foi aplicado o cartão vermelho para o argentino.
O artilheiro do Brasileirão
As boas atuações de Michael se seguiram no Morumbi, mostrando que será difícil tirá-lo do time titular. Aos 42 minutos, ele marcou um golaço em um chute colocado da linha da grande área que parou no ângulo esquerdo. Aos 9 minutos da etapa final, ele voltou a marcar após cruzamento de Bruno Henrique, tornando-se o artilheiro do Brasileirão, com 13 gols, superando Hulk, do Atlético-MG, e Gilberto, do Bahia. Esse foi também o quarto jogo consecutivo em que Michael balança as redes.
Tricolor atordoado
O massacre do Flamengo no primeiro tempo deixou o São Paulo sem muita ação para evitar um dano ainda maior do que já havia acontecido nos primeiros dez minutos. O Tricolor ainda teve uma boa chance de marcar, aos 16 minutos, após um lançamento da defesa que encontrou Rigoni livre no ataque. Na hora do domínio, porém, o atacante argentino tropeçou e não conseguiu dar sequência. Muito do que aconteceu no primeiro tempo do São Paulo pode ser resumido em uma frase do meia Igor Gomes no intervalo. “Nem eu sei o que explicar. É momento de falar pouco e buscar uma solução”, disse ao canal Premiere.
Menos emoção com jogo decidido
Não dava para se esperar muito do segundo tempo após o jogo estar resolvido nos 45 minutos iniciais. O São Paulo mudou suas cinco peças regulamentares, mas não conseguiu assustar o gol do Flamengo em nenhum momento. Os cariocas ampliaram o placar logo aos 10 minutos e ficou por aí. Depois de Rodrigo Caio ter sido substituído por uma lesão na panturrilha, Renato Gaúcho optou por dar descanso a Gabigol e David Luiz. E a partir daí forçou pouco. A melhor chance aconteceu em um chute de Kennedy, que saiu à direita de Tiago Volpi, aos 21 minutos.
Após Marcos Braz colar em empresário para manifestar interesse e saber condições, nome entra em discussão de orçamento para 2022. Empresários aguardam contato formal com otimismo
Por Cahê Mota — Rio de Janeiro
O nome de David Luiz, enfim, entrou em pauta para valer nos bastidores do Flamengo.
O nome do zagueiro está sendo debatido pela alta cúpula do clube em reuniões que começam a definir também o orçamento para 2022. Os dirigentes conversam sobre o peso decisivo da contratação para reta final da temporada e as condições estão na mesa. A expectativa é de que o Flamengo chegue a um valor dentro dos limites previstos para formalizar a proposta ao ex-jogador do Arsenal nos próximos dias.
Marcos Braz passou as últimas duas semanas cercando o empresário Giuliano Bertolucci para deixar claro até onde o clube consegue esticar a corda e saber do quanto David estaria disposto a flexibilizar.
A postura neste período foi de que não tinha motivo para formalizar uma proposta por dois motivos: não teria como disputar financeiramente com os europeus e todas as partes deveriam estar cientes de que seria necessária uma readaptação ao que o atleta acostumou-se a ganhar nos últimos anos.
Desde o primeiro momento, o grupo Bertolucci se mostrou favorável ao acerto com o Flamengo por acreditar que seria importante para a mudança de imagem de David entre os brasileiros. A avaliação é de que uma passagem vitoriosa pelo clube reduziria o impacto das críticas no período de Seleção.
Diante do que foi conversado com Braz ao longo das últimas semanas, há confiança em um acerto caso o Flamengo formalize uma proposta dentro de seus padrões. David Luiz está sensibilizado com o carinho nas redes sociais por torcedores de um clube que não tem relação, mas não quer deixar a impressão de que o clube é a última opção e aguarda uma proposta formal.
Com os principais mercados europeus e os períodos de inscrição para competições europeias encerrados, o Flamengo se vê até mesmo em condição confortável para convencer David a retornar ao Brasil. O jogador deixou o Vitória em 2006 e passou 15 anos na Europa.
Sem a mesma pressa dos torcedores, até mesmo por estratégia, o Flamengo trabalha para ter o zagueiro sem comprometer seu orçamento. E ainda tem tempo para isso: as inscrições na Libertadores se encerram somente no dia 17 de setembro.
O meia Gerson avalia uma nova e pomposa proposta financeira oferecida pelo Olympique de Marselha, da França, e pode ter se despedido do Flamengo na final do Estadual, contra o Fluminense.
O clube francês ajustou a oferta salarial depois de o jogador não se empolgar tanto com a primeira investida, e chegar a ouvir uma promessa de aumento do Flamengo.
Agora, Gerson deve fechar um contrato de cinco anos e receber no total 15 milhões de euros (quase R$ 100 milhões), do Olympique, que faz muita força para fechar a negociação.
O desfecho tem tudo para ocorrer em breve.
O técnico Jorge Sampaoli, que fez o pedido de contratação, já ligou para Gerson e está otimista por um anúncio oficial a qualquer momento.
Com isso, é possível que o meia sequer enfrente o Vélez, na quinta-feira, pela última rodada da fase de grupos da Libertadores. Representantes do Olympiqyue ainda garantiram ao o pai do jogador a liberação para disputa da Olimpíada.
O Flamengo já havia dado sinal verde para a proposta de compra, de 25 milhões de euros mais bonificações, incluindo percentual de até 20% mantido para o caso de venda futura do atleta de 24 anos. No entanto, ainda tenta obter os últimos benefícios antes de aceitar o acordo com o Olympique de forma oficial.
“O pai do Gerson trouxe há 20 dias uma proposta da França e estamos conversando. Flamengo já recusou uma ou duas ofertas. Se a proposta fosse interessante, Flamengo já teria vendido. E que fique claro que não fomos ao mercado pra vender ninguém”, declarou nesta segunda-feira o vice de futebol Marcos Braz.
Apesar das dificuldades da pandemia, o Flamengo terá em 2021 o maior faturamento de sua história, na casa dos R$ 980 milhões, e com expectativa de superávit de R$ 137 milhões. O valor é acima do previsto e supera a temporada 2019. Mas se chegar na final da Copa do Brasil e da Libertadoes, a chance é grande de a marca do R$ 1 bilhão ser alcançada. Mas o pensamento é que há margem para um grande crescimento.
Vários fatores contribuíram para o bom resultado conseguido pelo clube, como a gestão rígida, o trabalho em conjunto entre as pastas, novas fontes de receita e dos valores de patrocínio, além, claro de vendas importantes como a de Gerson e Muniz. As transferências ultrapassaram em R$ 100 milhões o que era previsto no orçamento original.
- A receita será maior do que em 2019, ano que ganhamos tudo. E não batemos no teto. O esforço que fizemos na pandemia mostra o potencial que o clube tem. Como fizemos? Com gestão. A pandemia desencadeou um enorme trabalho de equipe, controle de custos e aumento de receita. É um resultado digno de se comemorar, mas temos que seguir alertas e trabalhando duro. Temos projetos para aumentar significativamente, não estamos satisfeitos - disse Rodrigo Tostes, vice-presidente de Finanças.
O ge entrevistou Rodrigo Tostes e o vice-presidente de Comunicação de Marketing, Gustavo Oliveira, para entender o caminho que o Flamengo percorreu para chegar a este resultado.
Marketing teve receita 80% maior do que 2019 e o clube tem projetos para aumentar o faturamento, como o banco digital, FlaTV+ e a internacionalização da marca.
- Compensamos uma perda de cerca de R$ 120 milhões em bilheteria, sócio-torcedor e estádio com várias outras ações, sejam elas de inovação, marketing ou esportivo. Compensamos e passamos desse valor com essa gestão de custos e aumento de receita - disse Tostes.
Rodrigo Tostes e Gustavo Oliveira comemoram título do Flamengo - Divulgação
Endividamento volta ao patamar pré-pandemia
- Nós estamos com um endividamento menor do que o de 2019, mesmo com os dois anos de pandemia. Em 2019 era de R$ 338 milhões, em 2020, R$ 440 milhões, e agora vamos ficar em R$ 335 milhões - revelou o VP de Finanças.
Novas receitas impulsionam
- O Flamengo passou a assumir riscos. O Carioca foi um ótimo exemplo. Decidimos criar a plataforma de streaming para vender aos nossos clientes. Corremos riscos e encaramos com seriedade. Conseguimos entregar uma receita que não estava prevista. O desempenho esportivo também superou. Teve a receita do Brasileiro (terminou em 2021), da Supercopa, liga de basquete... - disse Tostes.
Vendas geram R$ 100 milhões além da meta. Clube gasta 181 milhões de investimento em atletas (Pedro, Gabigol...)
- Em um ano de pandemia, sem bilheteria e com queda de sócio-torcedor, mantivemos performanece esportiva e conseguimos aumentar receita, diminuímos dívida e aumentamos investimento. Com foi feito? Com trabalho em conjunto. Jurídico, futebol, financeiro, marketing... O processo de gestão de custos. Seguramos para não gastar o que não era essencial. No futebol, tivemos de venda bruta (sem descontar a comissão de empresários, por exemplo) um valor de R$ 100 milhões a mais do que o orçamento previa - contou Tostes.
Todas as áreas do clube responsáveis pela receita e na despesa
- Nós trabalhamos muito para colocar a plataforma de streaming no ar. Na chegada do "Mercado Livre", montamos uma sala de guerra e trabalhamos até de madrugada. O contrato foi assinado pelo Landim às 3h da manhã. Até hoje não sabemos se ele não dormiu ou se ele acordou aquela hora e foi lá assinar. Foi um dedicação enorme para chegarmos a este número. A previsão de receita para as costas do uniforme era de R$ 4 milhões, e assinamos por R$ 10 milhões. O futebol se envolveu mais, é uma mudança de cultura. Todos têm responsabilidade na receita e na despesa - revelou Tostes.
Chegada de David Luiz só foi possível por causa da mudança de cenário?
- A chegada do David Luiz tem a ver com uma percepção de um horizonte mais seguro no futuro. As receitas que potencializamos nos dão um ambiente mais tranquilo, porque elas são de recorrentes (contínuas) - disse Tostes.
Receita de R$ 1 bilhão
- Não vamos ficar satisfeitos quando chegarmos a R$ 1 bilhão, queremos muito mais ainda. Por isso temos os projetos do banco digital, FlaTV+, internacionalização, que nos dá a chance de receita em moeda forte, e edital do Maracanã, que também vemos como um potencial enorme de receita - afirmou Tostes.
Vice-presidentes do Flamengo comemoram o título brasileiro (Gustavo Oliveira é o terceiro da direita para esquerda) - Alexandre Vidal/Flamengo
Aumento de 80% da receita de marketing em relação a 2019/ parceria com a comunicação
- O sócio-torcedor e bilheteria, que estão dentro do marketing, foram muito ruins. Perdemos muito dinheiro. Se não fosse a pandemia, a gente ia arrecadar mais R$ 120 milhões, R$ 130 milhões. Mas como crescemos? Foi mais em cima de patrocínio. Fizemos um trabalho de estruturação como um todo, do marketing com a comunicação.
A FlaTV está muito mais forte, as redes sociais estão muito mais fortes. Aumentamos o engajamento, e isso é dinheiro também, além do relacionamento com o torcedor. Aumenta o valor das nossas propriedades. Hoje, qualquer espaço da camisa é vendido junto com espaço nas redes sociais e na FlaTV. O valor aumenta.
Parceria com BRB e redes sociais
- Alavancamos o espaço master. O BRB é uma parceria, não é apenas um patrocínio. Os ativos ganharam mais valor As redes sociais também dão dinheiro. O faturamento é bastante razável, virou um produto vendido. Nós trabalhamos unidos, todas as pastas. Falamos sobre o financeiro, sobre o marketing, relações exteriores... sempre sob o comando do presidente Landim. É o que acontece e que tem dado certo - disse o VP.
David Luiz em sua apresentação no Flamengo - Marcelo Cortes/Flamengo
Participação do patrocinador na apresentação de David Luiz
- Esse tipo de ação que fizemos (camisa chegando dentro de uma caixa de encomenda) com o David Luiz vai acontecer sempre. Fizemos um processo de cotas do futebol. A Ambev, por exemplo, participa de transmissão em pré e pós jogos. Ainda estamos saindo da pandemia, mas conseguimos alavancar. Estamos colhendo agora o que começamos a investir em 2019. Ano que vem teremos números melhores ainda - disse Gustavo Oliveira.
Projeto de fan token
- Foi bom para os dois lados. Estão junto com o Flamengo, a maior torcida do mundo, nossas redes sociais, FlaTV... Não é só venda de token. Eles fazem uma remuneração boa conosco. O engajamento é forte. Esse vai ser um produto importante. Camisa do feminino, masculino... Já entra uma parte do dinheiro esse ano, mas o grosso será nos próximos anos. Acreditamos que ainda esse teremos a nossa moeda. É um contrato de quatro anos e meio que será importante para o clube. Não temos pressa de sermos os primeiros, mas queremos fazer muito bem feito, do tamanho do Flamengo - afirmou Gustavo Oliveira.
Lançamento da FlaTV+ e o preço da mensalidade
- Devemos lançar ainda em outubro a FlaTV+, uma espécie de TV por assinatura para quem quer saber ainda mais do Flamengo. A FlaTV normal segue, é a terceira maior do mundo entre os clubes. A FlaTV+ terá mais programas, mais entrevistas, mais tempo do treino... Para quem quer acompanhar tudo, é a assinatura ideal. Vai ficar entre R$ 15 e R$ 20, e o sócio vai pagar a metade. Com o tempo o projeto vai crescer - revelou o VP de Comunicação de Marketing.
Número de sócios-torcedores começa a aumentar
- Os resultados de campo influenciam diretamente, e já estamos sentindo uma movimentação positiva. A curva de compra começa a crescer. Caiu na pandemia, estabilizou e agora voltou a crescer. Tem uma expectativa de crescimento. Mudamos os planos, demos propriedades novas. As pessoas começam a ver que vale a pena. Nesse jogo da Libertadores (contra o Barcelona), a maioria vai ser de sócios-torcedores. É um bom negócio ser sócio. A expectativa é boa - declarou Gustavo Oliveira.
Expectativa de voltar a faturar com bilheteria
- Sobre a receita de bilheteria, ainda temos limitação de carga de público, e isso deve continuar por um período. A operação é bem mais cara. Segurança, controle... Ainda neste momento não vai refletir em um faturamento importante como será no futuro. Mas o produto futebol é muito mais importante. O futebol com a torcida é muito mais valioso, ela faz parte do espetáculo. Com a vacinação avançado, acredito que vamos normalizar.
Clube terá jogador por empréstimo de um ano e aguarda assinatura para confirmar negócio
O Flamengo encaminhou nesta quarta-feira a contratação do meia Andreas Pereira, do Manchester United. O clube chegou a um acordo com os ingleses para o empréstimo do jogador por uma temporada e aguarda detalhes finais e assinatura do contrato para confirmar a contratação. A informação foi divulgada pelo jornal "O Dia" e confirmada pelo ge.
Na terça-feira, o United já havia sinalizado concordância para emprestar Andreas ao Flamengo. As condições do negócio, como divisão salarial e opção de compra, foram alinhadas na sequência, e a diretoria rubro-negra está otimista para conseguir oficializar o negócio.
A previsão é de que Andreas chegue ao Rio no sábado. Ele é a segunda contratação encaminhada do Flamengo nesta janela. Antes, o clube havia acertado o empréstimo do atacante Kenedy ao Chelsea. Agora, a diretoria tenta regularizar ambos a tempo de estarem disponíveis na Copa do Brasil - o prazo se encerra no dia 24 de agosto.
Nascido na Bélgica e filho de brasileiros, Andreas vê a possibilidade de atuar no Brasil como um movimento importante para a carreira após passagens por Granada, Valencia e Lazio. O meia entende que é uma oportunidade de se mostrar para o país que escolheu defender e chamar a atenção de Tite.
Fora de casa, o Flamengo venceu o Sport por 3 a 0, na noite desta segunda-feira (1º), e assumiu a vice-liderança do Brasileirão. O Rubro-Negro aparece agora com 61 pontos, quatro a menos do que o líder Internacional, com quem tem ainda um confronto direto na penúltima rodada do campeonato.
O Rubro-Negro precisou de menos de 20 minutos para praticamente liquidar a partida. Logo no primeiro lance do jogo, aos três minutos da primeira etapa, Arrascaeta recebeu, tocou para o meio da área e encontrou Gabigol, que empurrou livre para o fundo da rede.
Quinze minutos depois, Bruno Henrique aproveitou a sobra da zaga do Sport e mandou para o gol, ampliando o placar aos 18 do primeiro tempo.
Com a partida nas mãos, o time carioca pouco produziu na segunda etapa. No minuto final do jogo, porém, Pedro, que saiu do banco de reservas, aproveitou passe de Everton Ribeiro para selar o resultado com um chute cruzado.
Com o resultado, o Rubro-Negro assumiu a vice-liderança, com 61 pontos. Já o Leão segue em situação difícil no Brasileiro, na 16ª posição, com os mesmos 35 pontos do Fortaleza - que abre a zona do rebaixamento.
Na próxima rodada o Flamengo encara um clássico em casa contra o Vasco, às 21h de quinta-feira (4). Já o Sport vai até o Rio de Janeiro enfrentar o lanterna do Brasileirão, Botafogo, na sexta-feira (5), em mais uma partida para tentar se afastar do rebaixamento.
Em encontro nesta sexta-feira, o zagueiro David Luiz deu sinal positivo à oferta financeira do Flamengo, que enfim apresentou uma proposta até o fim de 2022.
O acordo depende apenas de assinatura de contrato a ser elaborado pelo clube, com as firmas do jogador e do presidente Rodolfo Landim. Após os trâmites, virá o anúncio.
A expectativa é que a contratação seja oficializada na segunda-feira. David Luiz está no Brasil com a família e seguirá para o Rio para se apresentar ao novo clube.
Nas negociações, conduzidas pelos empresários Julio Taran e Giuliano Bertolucci, o jogador pediu ao Flamengo um salário equivalente ao de Gabigol. Em euros, o valor aproximado do zagueiro é de 3.5 milhões por temporada. O que chega no custo mensal de R$ 1.5 milhão, praticamente o mesmo do atacante. O clube negociou, mas topou.
Em caso de título, David Luiz também terá premiações. Na Europa, o zagueiro negociou com o Benfica e pediu cerca de 4 milhões de euros por ano, mas o clube português não quis pagar. O jogador optou por voltar ao Brasil, mas demorou a amadurecer a ideia, considerada por ele e seus familiares e agentes bem difícil.
O vice de futebol Marcos Braz e o diretor Bruno Spindel foram até São Paulo para encontros esta semana e a decisão foi tomada junto a outros vice-presidentes da parte administrativa. Braz, inclusive, já interagiu com os torcedores nas redes sociais de forma misteriosa. Como fez nas chegadas de Andreas e Kenedy.
A novela
O Flamengo tratou a contratação de David Luiz de forma parecida a de outros reforços que vieram da Europa ou fizeram carreira no Velho Continente. Pensou alto, não descartou o interesse, mas deixou o mercado falar por si antes de fazer movimentos arriscados.
Tal como ocorreu com Rafinha, Filipe Luis e, nesta temporada, com Kenedy e Andreas Pereira, o clube acenou, sinalizou a possibilidade financeira, e esperou para dar o bote. Desta vez, pelo fato de o zagueiro não ter contrato e estar livre, sem clube, como ocorreu com os dois laterais veteranos, a paciência foi maior ainda.
Para viabilizar a contratação o Flamengo teve que esticar a corda e o jogador ceder na parte financeira. Para que David Luiz aceitasse o projeto de retornar ao Brasil, primeiro descartou o que poderia aparecer na Europa, pois considerava que ainda tinha mercado.
Clube por onde passou antes de explodir na Inglaterra, o Benfica, de Portugal, era tratado como a maior das possibilidades, mas não avançou. Assim, o atleta, ciente da campanha das redes sociais por sua volta ao Brasil, observava a situação, também sem tanta pressa para se decidir.
O assunto foi tratado por seu empresário, Giuliano Bertolucci, que falou sobre o tema com dirigentes do Flamengo ao lado de Julio Taran.
O presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, se reuniu com o vice de futebol Marcos Braz e o diretor Bruno Spindel no CT do Flamengo depois do treino desta sexta-feira.
O encontro não teve a presença do técnico Rogério Ceni e foi a portas fechadas. O técnico já havia ido embora. A diretoria avalia a demissão do treinador antes do jogo com a Chapecoense, no domingo.
A crise no futebol do clube se agravou ainda mais depois de um áudio em que um funcionário do futebol detona o treinador.
O Flamengo demitiu o analista de mercado Roberto Drummond. E o treinador ficou ainda mais sem clima entre jogadores, comissão técnica e diretoria.
Na mensagem, obtida pelo Ge, ele critica a postura do treinador no dia a dia, além de questionar a insistência dele em indicar jogadores do Fortaleza, clube que treinou em duas oportunidades recentemente.
“Ele está lá há quase um ano já, e nunca se interessou em sentar com o pessoal da análise de desempenho, que são os caras de tática e tal, para ver quais são os processos, o que que faz. Ele nunca se interessou em sentar no nosso departamento, virar e falar: ‘gente, estou precisando de pessoas, de jogadores, de um cara assim, o que vocês têm? Me ajudem’. Ele só chega para a gente e fala assim: ‘Eu quero um jogador do Fortaleza’. A gente vira e fala que tem um melhor. Ele já pediu cinco, se não me engano. Até hoje ele força a barra com um", questionou o funcionário na mensagem.
No áudio, o funcionário, que é analista do Centro de Inteligência e Mercado do clube, chega a se mostrar surpreso com o fato de Rogério ainda não ter sido demitido pelo clube.
"Não consigo entender. Estou sendo bem sincero. Achei que ele ia cair ontem (após a derrota para o Atlético-MG), achei que ia cair contra o Fluminense. O cara não cai. Não sei por quê. A gente vai sangrar em uma competição, tomara que não seja a Libertadores, para tirar ele. Ou perder para a Chapecoense no fim de semana, o que é improvável, mas poderia ser”, disse na mensagem.
Além disso, Drummond também critica as escolhas de Ceni para os cargos de auxiliares para trabalharem diretamente com ele.
“Ele é tão ruim que ele trouxe dois auxiliares. Um, quando ele teve Covid, ele não quis deixar ir para campo, porque o cara é ruim, só sabe montar campo. Ele teve que chamar o cara do sub-20 para ser auxiliar dele, de tão ruim que os caras que ele pegou trouxe. Esse francês é nojento de ruim. Gente boa para c..., esse é gente boa, mas é muito ruim. Está perdido. Enquanto ele continuar lá a gente está perdido”, disse.
Peça-chave na busca do Palmeiras pela Libertadores, ele queria ser atacante e teve no grande rival uma decisão que mudou sua carreira - e o leva (de novo) ao Maracanã
Exausto, Weverton se agachou no gramado do Allianz Parque depois de trabalhar bastante na derrota por 2 a 0 para o River Plate, numa noite que só não foi desastrosa porque ele salvou o Palmeiras da eliminação e ajudou a colocar a equipe na final da Copa Libertadores.
Contra o Santos, sábado, às 17h (de Brasília), Weverton pisará no gramado do Maracanã como o goleiro mais valorizado do Brasil – consolidado aos 33 anos, campeão olímpico no mesmo estádio da final, convocado regularmente por Tite para a Seleção e voz ativa num elenco recheado de estrelas.
Nada disso, porém, aconteceria se Weverton tivesse seguido seu sonho de infância em Rio Branco, capital do Acre: ser atacante, inspirado em Ronaldo Fenômeno.
– Quando o conheci e o trouxe para o Juventus, ele me disse que também jogava de atacante. Tratei de tirar isso logo da cabeça dele. Ele veio com um biótipo talhado para ser goleiro, não tinha como querer se enfiar de atacante – conta Illimani Suares, técnico de Weverton no Juventus-AC e a quem o goleiro considera um pai.
Se não sofrer gols, Weverton vai atingir mais um degrau vitorioso na carreira que começou em sua terra natal, mudou de rumo após uma viagem de 3.600 quilômetros de ônibus a São Paulo e, ironicamente, teve no rival Corinthians um de seus momentos mais decisivos.
Weverton, exausto, após classificação do Palmeiras contra o River Plate - Staff Images/Conmebol
A PRIMEIRA VIAGEM
Acostumado a brincar nas ruas de terra do bairro Bahia Velha, em Rio Branco, o menino Weverton Pereira da Silva gostava de fazer gols. Após jogar em campos de terra, chegava em casa sujo, às vezes machucado, mas convicto de que seria um artilheiro.
Antes de completar 13 anos, Weverton era atacante do Recriança, time de um projeto social de Rio Branco. Até o time se ver sem goleiro.
– Eu fui goleiro, na verdade, por acaso. A gente estava jogando um torneio de escolinha e eu era atacante. O goleiro faltou, perguntaram se eu poderia ir para o gol neste jogo, e eu fui. Tinha gente de clubes melhores lá na minha cidade e (falaram) "poxa, vamos fazer um teste lá no meu time, você foi bem aqui no gol". Eu falei "mas não sou goleiro". Falaram "não, vamos lá que acho que vai dar certo". Eu peguei e fui. Aí começou – disse Weverton, em entrevista ao ge em 2014, quando defendia o Athletico.
Quando Illimani Suares o viu, já debaixo das traves, não teve dúvidas sobre a vocação do garoto e o levou para a base do Juventus, onde passou por todas as categorias até subir para o profissional, ainda com 17 anos. A essa altura, as inspirações já eram outras: Marcos e Dida, goleiros campeões mundiais com a seleção brasileira.
Weverton no Juventus, do Acre: do ataque para o gol - Manoel Façanha/Arquivo Pessoal
No fim de dezembro de 2004, Weverton saiu do Acre pela primeira vez. Subiu em um ônibus para encarar os mais de 3.600 quilômetros até São Paulo, onde disputaria a Copa São Paulo de Futebol Júnior pelo Juventus e enfrentaria o Corinthians logo de cara.
Poucos dias depois, fechou o gol e viu o clube paulista arrancar uma vitória por 1 a 0 apenas no fim. Mais alguns dias, e o promissor goleiro já estava instalado no alojamento da base do Corinthians, no Parque São Jorge.
– A atuação dele foi maravilhosa, tanto que logo após o jogo, o Corinthians se interessou por ele e procurou por nós. Marcaram uma data para ele fazer um teste. Fui com ele, os 15 dias por minha conta, ia com ele todos os dias para o CT do Corinthians, acompanhei até a última hora. Ele ficou entre os três que passaram. A partir daí, passou a morar na república que tinha outros garotos do Corinthians. O início foi pesado – lembra Illimani.
Elenco do Juventus-AC: Illimani Suares é o quarto em pé, de óculos, e Weverton é o último - da esquerda para a direita - Reprodução/Rede Amazônica
O tutor voltou para o Acre. Weverton, depois de se acostumar à ausência da família, virou titular da base corintiana na Copinha de 2006 – ao lado de nomes como o meia-atacante Willian, hoje no Arsenal, com quem ainda mantém amizade e jogou junto na seleção brasileira.
No torneio, porém, viveu uma decepção: o hoje pegador de pênaltis foi sacado antes de uma decisão do tipo contra o Fortaleza, na segunda fase, após empate no tempo normal. Célio entrou no lugar dele, e o Timão acabou eliminado.
– Em uma conversa que tive com o treinador de goleiros, decidimos que, se a partida fosse para as penalidades, eu faria essa troca. A responsabilidade é toda minha – afirmou, à época, o técnico Jorge Saran.
Weverton engoliu a seco, não reclamou e continuou no clube por quase três anos.
A GRANDE DECISÃO
Era dezembro de 2008, e o Corinthians havia acabado de garantir o retorno à Série A do Brasileirão depois de um ano de reconstrução. Para 2009, a promessa de um grande time – com Ronaldo Fenômeno à frente de outras estrelas. Weverton era apenas o quarto goleiro, sem muita perspectiva de subir degraus. Queria jogar. E pediu para ser emprestado.
– E eu disse a ele na época: “Vai. Vai jogar, é um desperdício você hoje como está, ficar aqui como terceiro ou quarto goleiro do Corinthians” – lembra Mauri Lima, preparador de goleiros do Timão entre 2008 e 2018.
O quarto goleiro estava atrás de Felipe, Júlio César e do também recém-promovido Rafael Santos. Sem nenhum jogo pelo time do Parque São Jorge, Weverton só foi acionado em eventos do marketing do clube – como o lançamento de um carro de corrida da já extinta Superleague Fórmula.
Weverton foi goleiro do Corinthians entre 2006 e 2008: e não teve uma chance sequer no time principal - Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians
– O Weverton naquela época estava subindo da base, iam dispensá-lo. Pedi que o deixassem e trabalhamos quase três anos juntos. É um profissional dedicado, que buscou a superação, pois precisava evoluir em algumas coisas e assim o fez. Foi deixado em uma condição de, quando saiu do Corinthians, ser titular em qualquer equipe – ressalta Mauri.
Último da fila e com potencial para explodir, viu em um empréstimo a chance de, enfim, poder jogar. O clube não se opôs e o cedeu ao Oeste, hoje de Barueri, mas na época ainda em Itápolis, interior de São Paulo.
Ainda que as primeiras rotas fora do Corinthians fossem cheias de obstáculos, a decisão se mostraria correta em poucos anos – além do Oeste, defendeu Remo (este em 2007), América-RN e Botafogo-SP, onde foi Campeão do Interior no Paulistão de 2010, chamou a atenção de outros clubes e viu as portas se abrirem para a elite do futebol nacional.
Weverton foi campeão do interior no Botafogo-SP, em 2010: ele é o primeiro jogador em pé - Rafael Martinez/Botafogo FC
BARCELUSA
Em maio de 2010, Weverton tinha 22 anos e assinou contrato com a Portuguesa, onde ganhou destaque ao participar de um time que conquistou acessos no Paulistão e no Brasileiro e passeou na Série B de 2011 sob comando do técnico Jorginho, hoje no Figueirense.
Neste momento, já era conhecido por ser um goleiro de fundamentos muito bem treinados, reflexo apurado e tecnicamente impecável. Como Mauri havia antecipado, e como Illimani já sabia desde cedo em Rio Branco.
– Ele foi adquirindo todas as técnicas com o treinamento, que era feito comigo mesmo, de fundamentos, tudo. Muito sério e dedicado desde cedo. Sempre falava para ele que o goleiro é o primeiro que chega e último que sai do treino. Ele sempre foi esse cara – orgulha-se o primeiro técnico.
Weverton não era capitão, mas exercia liderança sobre o elenco rubro-verde e virou pilar de um elenco que ficou conhecido como Barcelusa, alusão, claro, ao Barcelona. Um imbróglio na renovação de contrato, porém, causou o afastamento dele em março de 2012. E a saída dois meses depois, em maio. Estava convicto de que era hora de pegar estrada novamente.
Weverton na Portuguesa, em 2011, em jogo contra o Palmeiras: Barcelusa foi decisiva na ascensão do goleiro - Getty Images
Nesse período, assinou pré-contrato com o Athletico-PR. No desespero, com a Lusa às portas de ser rebaixada novamente para a Série A-2 do Paulistão, Jorginho reintegrou o goleiro mesmo a poucos dias do fim do contrato. A Portuguesa caiu mesmo assim.
– Eu tive um papo com ele no vestiário, perguntei como estava a negociação. Disse que já tinha acertado com o Athletico, que estava indo embora. Tive que tomar uma decisão: será que ele ia jogar à vera? Coloquei o Rodrigo Calaça (reserva) para jogar. Infelizmente ele errou em um jogo, empatamos, e o Weverton voltou. Fiz questão que ele renovasse desde o fim de 2011, mas quando tentaram resolver, era tarde demais – afirmou Jorginho.
– Acho que eu não fui valorizado pelo clube da forma que eu merecia. Quando o Athletico me procurou, aí sim eles queriam me valorizar, mas já não tinha mais volta – ressaltou Weverton, na época de sua saída.
FURACÃO DE OURO
No Athletico, o roteiro foi parecido – mas com maior tempo e intensidade: chegou com o time na Série B, ajudou no acesso à elite ainda em 2012, virou capitão, melhor goleiro do Brasileirão de 2015 – pelo Troféu Armando Nogueira – e campeão paranaense em 2016, seu único título pelo clube rubro-negro em cinco anos e meio.
Mas é um período de menos de dois meses, entre agosto e setembro de 2016, que resume bem o furacão vivido por Weverton, digno do apelido do time que defendia.
Cotado desde o fim de 2015, ele viu sua primeira convocação para a Seleção ocorrer por outro acaso – tão improvável quanto um atacante se tornar goleiro. Fernando Prass, então titular do Palmeiras, sofreu fratura no cotovelo durante um treino na Granja Comary e acabou cortado. Jean, hoje no Atlético-GO, Jordi, ex-Vasco, e Alisson, titular da seleção brasileira, eram os suplentes na pré-lista montada pelo técnico Rogério Micale.
O treinador, porém, optou por Weverton, um “outsider” que jamais havia passado por qualquer seleção de base, mas impressionava no Athletico. Ele soube do chamado assim que desceu do avião em Curitiba, voltando de um jogo do Campeonato Brasileiro.
– Avisei para o grupo da família: “Prepara o banquete” – comemorou em sua primeira entrevista após a convocação.
Banquetes não faltaram naquele agosto de 2016. Weverton foi gigante em um time que tinha nomes como Neymar, Gabigol e Gabriel Jesus, pegou pênalti na final contra a Alemanha e fez parte do time que conquistou o primeiro ouro olímpico do futebol brasileiro. Eternizado na medalha e em uma tatuagem na panturrilha.
Weverton beija a medalha de ouro conquistada na Olimpíada do Rio, em 2016 - Reuters
Houve, depois, a viagem de volta a Curitiba.
E aí, já em setembro, o furacão Weverton viveu seu momento mais crítico no Athletico: perdeu um pênalti em disputa contra o Grêmio, pelas oitavas de final Copa do Brasil, e, mesmo tendo fechado o gol no tempo normal e defendido três cobranças na marca da cal, viu o time ser eliminado e ainda saiu como vilão.
– Mandaram um aviso lá (do banco de reservas) para eu bater pênalti. A minha função é pegar pênalti e fiz bem feito. Erramos cinco e parece que o culpado da derrota fui eu. Falaram que eu não era humilde, que faltou humildade. Eu não estou entendendo nada até agora – disse Weverton, no calor da eliminação.
A relação, praticamente de ídolo do clube, começou a ter ruídos. Em 2017, em má fase, passou a ter sua condição de titular questionada – o reserva e fiel escudeiro Santos, formado no Athletico, pedia passagem. A essa altura, ligações vindas de São Paulo já buscavam maiores informações sobre o goleiro, que tinha contrato até maio de 2018.
Weverton só conquistou um título no Athletico-PR: o Paranaense de 2016 - Giuliano Gomes/Agência PR PRESS
DONA JOSEFA
Em Curitiba, porém, Weverton havia encontrado um lugar de acolhimento. A ponto de levar, além da esposa Jaqueline e da filha Valentina, também a mãe, Dona Josefa Pereira. Na capital paranaense, abriu também duas franquias de uma escolinha de goleiros e passou a diversificar seus investimentos – pensando no futuro e na tranquilidade da família.
Criado por Josefa e pelo avô, Olavo, o goleiro sempre foi evangélico, frequentou a igreja e teve educação acompanhada de perto. Descrito como um profissional dedicado, focado e sério por todos os ouvidos pela reportagem, Weverton aprendeu a ser responsável desde cedo graças a essa formação familiar.
Essa responsabilidade não ficou de lado nem no momento mais difícil de sua vida, em março de 2020, quando Dona Josefa perdeu a batalha para um câncer. A morte da mãe ocorreu um dia depois de o Palmeiras ter enfrentado o Tigre, na Argentina, na estreia desta atual Libertadores.
– Dona Josefa era o esteio dele, por ela ele fazia tudo, uma pessoa que tinha o maior carinho, maior amor. Era aquela pessoa que não exigia nada, mas ele fazia tudo por ela. Na última vez aqui em Rio Branco, ficou a maior parte do tempo conosco. Infelizmente, pouco depois, saiu daqui, internou-se em Curitiba e não saiu mais. Deus a chamou – contou Illimani Suares.
Dona Josefa: o esteio do goleiro Weverton - Reprodução
A diretoria alviverde deu o espaço e tempo necessários para Weverton cuidar da família. Mas dois dias depois da morte, Weverton, mesmo dolorido por dentro, entrou em campo para fazer o que sua mãe mais gostava de ver: o filho fazer grandes defesas. O Palmeiras empatou por 1 a 1 com a Ferroviária, em 7 de março, com o goleiro titular.
A ausência de Dona Josefa uniu ainda mais o núcleo que vive próximo dele. Se já era muito ligado ao Acre e sempre voltava ao seu estado nas férias, agora a rotina inclui ligações frequentes a amigos e parentes – distantes por causa da pandemia do novo coronavírus.
A homenagem ao estado aparece com frequência na carreira de Weverton: na comemoração do ouro olímpico, nas vitórias pelo Athletico, nos títulos brasileiro e paulista pelo Palmeiras e na recepção calorosa que fez ao Galvez, time acreano, que disputou a Copinha de 2019 enfrentando o próprio Verdão e ganhando abrigo e um tour no Allianz Parque capitaneado pelo conterrâneo, que se emocionou com os garotos.
– Ele é muito preocupado com tudo e todos, tem uma consideração fora de série comigo. E ele veste a camisa do Acre. A camisa não, a bandeira! Está sempre disponível para ajudar, sempre foi bom filho, agora bom pai, bom marido. Sempre foi da mesma maneira, não é porque chegou onde chegou que mudou sua maneira de ser – diz Illimani, a quem Weverton chama carinhosamente de “Profe”.
Weverton e o elenco do Galvez, do Acre, em visita ao estádio do Palmeiras - César Greco/Ag. Palmeiras
A CONSAGRAÇÃO
O Palmeiras via em Weverton, já em 2017, um goleiro para ser presente e futuro do clube – Fernando Prass e Jaílson, titular e reserva até então, agradavam à diretoria, mas estavam em fim de contrato (e também em reta final de carreira).
Por isso, o clube optou por pagar R$ 2 milhões ao Athletico e tê-lo já no início de 2018, sem esperar o fim do contrato em maio para assinar de graça. A atitude, à época, rendeu até críticas de torcedores nas redes sociais. E o início foi longe do planejado.
Se o Verdão via em Weverton o futuro, Weverton via no clube o presente: queria ir para a Copa do Mundo, na Rússia, e estava bem cotado por já ter sido chamado pelo técnico Tite. Sob comando do técnico Roger Machado, porém, não engrenou. Foi terceira opção, atrás de Prass e Jaílson, e quase não jogou até o Mundial.
Weverton, Jaílson e Fernando Prass disputaram posição no Palmeiras - mas sem perder a amizade - César Greco/Ag. Palmeiras
Na lista final, Tite chamou Cássio, do rival Corinthians, para fazer companhia a Alisson e Éderson no gol da Seleção.
– A gente tem que saber respeitar. Eu queria jogar porque quando cheguei ao Palmeiras, eu tinha sido convocado pelo Tite sete vezes. Se eu chego jogando, era ano de Copa, e com o Palmeiras bem, seria uma oportunidade. Tinha chance. De repente, seu plano é frustrado, e, além disso, virei terceira opção – lamentou Weverton, em entrevista ao “Bem, Amigos!”, do SporTV, em 2020.
Só no Brasileirão de 2018 é que o goleiro ganhou a posição, já sob comando de Luiz Felipe Scolari. Não saiu mais, foi campeão nacional como titular e decolou desde então, sendo convocado regularmente por Tite e com a Copa de 2022 viva no horizonte.
Dono da camisa 21, foi decisivo no título paulista de 2020, quando pegou pênalti, e na campanha da Libertadores, principalmente contra o River, quando trocou de posição com o ídolo de infância: agora é Marcos, o “Santo”, quem torce por ele e oferece até a 12 que ajudou a eternizar no passado, na conquista da primeira Libertadores do Palmeiras.
– Você pode consagrar a 21. Falei para você: a 12 foi do "Serjão" (Sergio), do Cavalieri. Mas vai ser uma escolha sua. Se a gente for campeão, sua 21 ficará eternizada. Mas aí, se você pegar a 12 para jogar, vai dar sequência na história dela. Vou entregar ela na sua mão. Eu fiz promessa, está prometida – disse Marcos a Weverton, após a classificação à final.
A 21 tentará sua consagração máxima em campo neste sábado, no Maracanã. Protegida pela bênção do Santo e pelo olhar de Dona Josefa.
*Colaboraram Fernando Freire, de Curitiba, e Marcelo Braga, de São Paulo
Weverton com a taça de campeão paulista de 2020: ele quer mais conquistas - César Greco/Ag. Palmeiras