O surto de gripe que avança em todo estado do Acre tem deixado as autoridades na área de saúde em alerta, mas, as doses de imunizantes que chegaram ao Estado já se esgotaram devido a grande demanda.
Em Rio Branco, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), as unidades de saúde não dispõe mais das doses da vacina.
Na tarde de terça-feira, 4, algumas poucas doses eram aplicadas no posto de saúde do São Francisco, mas o estoque já estava no fim e a previsão é que o imunizante dure até a tarde desta quarta-feira,5.
Ainda de acordo com a Semsa, a previsão de envio de novas doses o ocorrerá apenas em abril, podendo ser antecipado para o mês de março.
A prefeitura de Rio Branco, em parceria com o RBTrans realiza uma campanha de combate ao mosquito da dengue nesta quarta-feira (05) no maior conglomerado de bairros da capital, Rio Branco: na grande Baixada da Sobral, com mais de 100 mil habitantes.
A ação de combate ao mosquito, que tem elevado os casos de dengue na capital foi postada nas redes sociais pelo chefe do RBTrans, o competente João Marcos Luz.
BLITZ 100% EDUCATIVA CONTRA A DENGUE
A RBTRANS apoia a SECRETARIA DE SAÚDE de Rio Branco na campanha contra o mosquito da dengue. Serão feitas diversas blitz educativas para orientar a população a combater o mosquito. Nós acreditamos que a educação gera consciência e os resultados são imediatos. Parabéns a Secretária Cheila e equipe. É uma ação da Prefeitura de Rio Branco Prefeito BOCALOM" diz o post.
Ricardo Petraco avalia que as mortes pela variante Ômicron são, em sua maioria, de pessoas que não se imunizaram
Por CNN Brasil
O crescimento no número de novos casos de Covid-19 na Europa vem chamando a atenção da população e da comunidade médica nos últimos dias. Na última segunda-feira (20), o total de novas contaminações na Itália subiu de 15.213 para 30.798 —essa é a primeira vez o número que chegou acima do patamar de 30 mil desde novembro do ano passado. Para especialistas, entretanto, a maior parte dos óbitos foi de pessoas que não se vacinaram.
Em entrevista à CNN, o cardiologista Ricardo Petraco, da Imperial College de Londres, afirmou que “cerca de 80% diagnosticados na Europa estão relacionados à nova variante [Ômicron], mas não que dizer que seja preocupante”. Ele considera que o mais importante não é o número de infectados, mas o total de mortes e hospitalizações.
De todo modo, Petraco diz que os dados preliminares sobre a Ômicron apontam que ela será menos agressiva do que o imaginado. “Existirão outras variantes, mas, em um contexto de pessoas vacinadas, o impacto deve ser menor”, acredita.
Para ele, os governos devem ser responsáveis e precisam colocar pressões sociais e legais para a população se imunizar.
Na opinião do especialista, o alto número de pessoas já vacinadas no Brasil é um indicador positivo. Mesmo assim, ele alerta que as medidas de proteção não devem ser relaxadas. “É preciso ter sensatez”, pondera. Ele explica que a transmissão ocorre mais facilmente em ambientes fechados.
Dados do Ministério da Saúde mostram que, ao todo, mais de 75% da população brasileira já recebeu a primeira dose, e mais de 65,5% das pessoas estão com o esquema vacinal completo —ou seja, tomaram duas doses ou a vacina de dose única.
“Acredito que o governo europeu foi categórico quando liberou o direito da população ficar sem máscara em espaços abertos. Talvez isso possa ter ajudado na transmissão da Ômicron”, finaliza.
Casos na Europa
O Reino Unido reportou 90 mil novos casos de coronavírus na terça-feira (21), e o total de infectados nos sete dias até 21 de dezembro foi 63% maior do que no período da semana anterior.
A Ômicron já é a variante dominante na Dinamarca, disse o ministro da Saúde do país, Magnus Heunicke, na terça-feira, citando dados do Statens Serum Institut (SSI, na sigla em dinamarquês), parte do Ministério da Saúde local.
Em Paris, na França, a variante do Ômicron representa um terço dos novos casos detectados e 10% de todas as infecções no país, afirmou o porta-voz do governo Gabriel Attal a jornalistas.
A cidade de Rio Branco começa nesta terça-feira, 12, uma megaoperação de vacinação em toda cidade com o objetivo de melhorar a cobertura vacinal de todos os imunizantes e garantir a proteção de crianças, jovens e adultos. Às 10 horas de hoje, o prefeito Tião Bocalom e a secretária Municipal de Saúde, Sheila Andrade, apresentarão em frente à Prefeitura de Rio Branco as vans que circularão pela capital no Mutirão de Vacinação.
A megaoperação contará com a mobilização de mais de 120 profissionais e 9 vans que levarão todas as vacinas do calendário vacinal a todas as regionais de nossa cidade.
A ação faz parte de uma parceria entre o Ministério da Saúde, OPAS, PNI- estadual e Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e pode durar entre 10 e 15 dias. O mutirão estará no Novo Mercado Velho (Calçadão) — 17h às 22h; no CEASA- 5h às 10h; no Shopping Popular — 8h às 17h; Shopping Via Verde — 14h às 20h e a equipe noturna na Praça Plácido de Castro – 17h às 20h.
Ramais, bairros, colocação fluvial em que o mutirão estará:
Calafate — 8h às 16h
Belo Jardim l, II, III e Judia – 8 às 16h
Cidade do Povo, Albert Sampaio, Dom Moacir, Liberdade – 8h às 16h
Caladinho, Juarez Távora, Jenipapo, Irineu Serra – 8h às 16h
Mocinha Magalhães, Sapolândia, Tucumã I e II, Ruy Lino l, II e III, Joafra – 8h às 16h
Distrito Industrial, Universitário, Custódio Freire, Barro Vermelho – 8h às 16h
Bairro da Paz, Conquista, Geraldo Fleming – 8h às 16h
Ramal Jerusalém, Piçarreira, Benfica, Cacau, Tucumã, dos Moreiras, Galileia, Bom Jesus, Coelho, Castanheira, Ramal da escola – 8 as 16h
A Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) confirmou nesta terça-feira, 4, a primeira morte por influenza A no Estado. A vítima foi uma mulher de 32 anos da cidade de Cruzeiro do Sul, distante cerca de 600km da capital. Ela morreu na última terça-feira, 28 de dezembro, e a confirmação foi feita após resultado de exame feito no Laboratório Central de Saúde Pública – LACEN, em Rio Branco.
A mulher morta, que não teve o nome divulgado, esteve no Hospital do Juruá duas vezes até ser internada com suspeita de Covid-19, que deu resultado negativo. O marido dela, Efrem Rocha conta que a mulher sofreu muito.”Ela tinha febre alta, dificuldade para respirar e dores nas costas. Não aguentava nem ficar sentada”, cita.
A secretária de Saúde de Cruzeiro do Sul, Valéria Lima, disse que a investigação epidemiológica continua. “Com a morte confirmada agora a gente precisa saber qual é o vírus circulante da influenza A aqui em Cruzeiro do Sul”, explicou a secretária.
Para evitar a proliferação ainda maior dos casos de influenza no município, a Secretária cita que as pessoas devem usar máscaras, tomar bastante líquido e evitar aglomerações. Ela destaca que todas as Unidades Básicas de Saúde estão atendendo os casos de síndromes gripais. E que desde o final de semana passada a prefeitura mantém o Posto do Agricultor aberto aos sábados, o que terá continuidade até que haja redução nos casos de gripe.
Pedido emergencial de medicamentos – Na rede pública, segundo a secretária Valéria Lima, não há ainda falta de medicamentos para pacientes com síndromes gripais, mas já há escassez de alguns itens. Por isso a prefeitura fez um pedido emergencial ao fornecedor. “Nós não esperávamos por esse surto e a grande demanda por esses medicamentos, mas na quinta-feira passada fizemos o pedido emergencial e o fornecedor , que fica em São Paulo, deve entregar o pedido em cerca de 15 dias “, relata a gestora.
Situação do Estado – O Acre registrou 11.044 casos de síndrome gripal entre janeiro e o dia 11 de dezembro deste ano. O número é 17,6% maior dos casos confirmados no mesmo período do ano passado, quando foram registrados 9.387 casos. Do total de casos registrados em 2021, três são do tipo influenza A.
Conforme os dados da Vigilância, em 2019 foram confirmados no Acre 28.658 casos de síndrome gripal até a semana epidemiológica 49 – entre 5 a 11 de dezembro. Em 2020, quando surgiu a pandemia do novo coronavírus, os casos de gripe baixaram para 9.387 no período avaliado.
Em 2019 e 2020 o Acre não teve casos de influenza A registrados. O estado teve registro de outros tipos da doença, como por exemplo: Influenza B Influenza H1N1 (pdm2009) Influenza inconclusivo para H1N1 (pdm2009) Influenza A sazonal /H3 Adenovírus Vírus Sincicial Respiratório Metapneumovírus Rinovírus Bocavírus Enterovírus Parainfluenza tipo Parainfluenza tipo2 Parainfluenza tipo 3 Parainfluenza tipo 4
Já em 2021, além de influenza A, o estado acreano também teve casos de Adenovíru, Vírus Sincicial Respiratório, Rinovírus e Parainfluenza tipo 3.
Autoridades em questão de saúde no Acre podem se reunir para discutir o prolongamento do uso de máscara devido ao surto de gripe pelo qual várias cidades estão vivendo, mais especificamente a capital, Rio Branco. A média diária de atendimentos subiu para 430 numa na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Franco Silva, na Sobral, e a unidade trabalha com superlotação.
Na última segunda-feira, dia 20, foram 492 pessoas atendidas, isso porque quase 200 desistiram de esperar pela consulta. Ao ac24horas, a diretora da UPA, Michela Lemos, explicou que houve uma reunião na terça-feira, 21, onde as unidades de saúde deverão entregar dados para colaborar com alguma medida que deva ser tomada diante do surto da doença.
“Ontem estivemos com a Vigilância e passamos todos os dados para a secretaria de saúde”. Questionada se o uso de máscara seria imprescindível neste momento, Lemos afirmou acreditar que com o levantamento, o estado poderá até mudar a obrigatoriedade do uso de máscara por causa da gripe. “A Covid-19 deu uma sumida. Quando realizamos exames aqui [pacientes e funcionários] só dá gripe. A máscara vai ajudar muito, pois estamos vivendo uma situação atípica, nunca tivemos isso”.
Outra preocupação é o inverno amazônico e as ocorrências de dengue neste período do ano. “O município já está bastante castigado com a greve dos médicos e a demanda é muita. Tivemos que buscar mais dois médicos ontem (21), e mesmo assim os pacientes estavam esperando 40 minutos para receber uma injeção”, disse. Médicos, enfermeiros e até servidores do setor de logística da referida UPA já tiveram de ser afastados por conta dos sintomas da gripe.
A Johnson & Johnson divulgou que uma dose de reforço da vacina da Janssen pode aumentar em nove vezes o número de anticorpos contra a covid-19. Os documentos foram enviados para a avaliação da Administração de Alimentos e Remédios (FDA), órgão regulamentador nos Estados Unidos.
Estabelecemos que uma única injeção de nossa vacina gera respostas imunes, fortes e robustas que são duráveis e persistentes por oito meses. Com esses novos dados, também vemos que uma dose de reforço da vacina aumenta ainda mais as respostas de anticorpos entre os participantes do estudo que haviam recebido anteriormente nossa vacina”, afirmou, em nota, Mathai Development, chefe global da Janssen.
Os resultados de uma dose de reforço da Janssen, a única vacina feita para uma só aplicação, foram constatados de maneira positiva tanto no grupo entre 18 e 55 anos, como entre os idosos. Os estudos que aprovaram o imunizante da Johnson relataram uma eficácia de 72% contra os casos graves de Covid-19 em 2020.
Development também disse que a empresa “está ansiosa para discutir uma estratégia” com o governo dos Estados Unidos quanto a uma dose de reforço da vacina. A Johnson & Johnson não constava nos planos iniciais do governo para o plano de doses de reforço da vacina, segundo o New York Times. Com o envio das novas informações, a empresa busca dialogar com a administração Biden para tentar vender novas doses da vacina.
Assim como as demais cidades brasileiras a capital acreana também vive uma epidemia de gripe. O que preocupa é que nesta sexta-feira (31) acabou o estoque de vacinas contra a influenza em Rio Branco. Também faltam medicamentos usados para tratar a doença.
Após ser procurada pela Folha do Acre, a Prefeitura de Rio Branco emitiu uma nota afirmando que as vacinas acabaram devido a grande procura nas unidades de saúde. Além disso, a Secretaria Municipal de Saúde disse que aguarda a chegada de um novo lote do imunizante.
“A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) comunica à população em geral que os estoques dos imunizante (vacinas) contra a Influenza, tipo H1N1, em virtude da grande procura em nossas unidades e devido a alta incidência causada pela Síndrome Gripal, estão acabando, restando apenas doses que estão disponibilizadas nas unidades”, diz trecho da nota.
Na última quinta-feira (30) o médico infectologista Thor Dantas já havia informado por meio de suas redes sociais que faltam medicamentos usados para tratar a doença.
“No meio de uma epidemia de gripe e não se acha o medicamento antiviral específico contra o vírus em lugar nenhum, nem no público, nem nas farmácias, difícil”, escreveu o médico.
A descoberta da variante ômicron na África do Sul no fim de novembro levantou novas incógnitas sobre a pandemia em todo o mundo.
Seu surgimento também ocorre em um momento em que metade do mundo está vacinada, mesmo com doses de reforço, e a outra metade tem taxas de inoculação baixas ou muito baixas.
O médico John Swartzberg, professor emérito da cadeira de doenças infecciosas e vacinação da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, argumenta que não ter conseguido uma vacinação massiva a nível planetário, seja por falta de acesso às doses em alguns países, além da rejeição à imunização em outros, gera milhões de fábricas virais, uma para cada um desses indivíduos.
Serão eles que produzirão a próxima variante do coronavírus, diz Swartzberg.
Swartzberg acredita que hemisfério norte pode sofrer nas próximas semanas o que ele chama de "tridemia", ou seja, três pandemias ao mesmo tempo
O especialista acredita que, além disso, o hemisfério norte pode sofrer nas próximas semanas o que ele chama de "tridemia", ou seja, três pandemias ao mesmo tempo, e acredita que a variante que aparecerá no mundo após a ômicron será uma que transformará o SARS-CoV-2 de uma pandemia a uma endemia.
Confira abaixo os principais trechos da entrevista de Swartzberg à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.
BBC News Mundo: Como o senhor analisa o curso da pandemia três semanas após a detecção da ômicron na África do Sul?
John Swartzberg: Tenho uma imagem muito clara das possibilidades para as próximas seis a oito semanas e estou muito preocupado com tempos potencialmente difíceis, mais difíceis do que os que estamos passando agora.
Nos Estados Unidos e em grande parte do mundo, estamos vendo um ressurgimento da (variante) delta agora. A pandemia delta não acabou, apesar de o noticiário falar muito na ômicron. Ainda estamos no meio de uma pandemia de variante delta que está causando morbidade e mortalidade significativas, e então sobreposto a isso está a ômicron.
Há uma semana, nos Estados Unidos, 0,7% dos casos estava relacionado à ômicron; agora, essa taxa é de 2,8%, quatro vezes mais. Se continuar assim, vamos ver a ômicron como a variante dominante nos Estados Unidos no início de janeiro, enquanto ainda estamos lidando com a delta. Isso é chamado de pandemia dupla.
Mas minha preocupação é que não só teremos uma pandemia dupla, mas teremos uma tridemia: ômicron mais delta mais influenza.
No ano passado, tivemos pouco contágio de gripe, tanto no hemisfério norte como no hemisfério sul, mas este ano pode ser mediano. Em um ano médio, temos algumas centenas de milhares de hospitalizações e entre 25 mil e 35 mil mortes em excesso (mortes além do previsto) nos Estados Unidos.
Se tivermos a ômicron, a delta e a influenza ao mesmo tempo nestes meses de dezembro, janeiro e fevereiro, poderemos realmente estar em uma posição muito difícil nas próximas oito ou dez semanas nos Estados Unidos.
BBC News Mundo: O senhor acredita que as pessoas agora estão mais tranquilas em relação às medidas não farmacológicas contra a Covid-19 e é por isso que a gripe vai voltar?
Swartzberg: Se você tivesse me perguntado antes da ômicron, a resposta seria "sim". Houve um grande surto de gripe no mês passado na Universidade de Michigan e também na Universidade de Wisconsin. Isso aconteceu porque as pessoas estavam mais relaxadas e a gripe se espalha da mesma forma que a Covid-19.
Mas se você me perguntar agora, quando as pessoas estão preocupadas com a ômicron e vão tomar a dose de reforço ou se vacinarem pela primeira vez por causa desse medo, espero que isso também leve as pessoas a tomarem a vacina contra a gripe e a serem mais cuidadosas.
Portanto, não tenho certeza se posso dizer que as pessoas estão mais relaxadas agora. Direi que, sem dúvida, a ômicron chegou em uma época ruim do ano, porque o frio (no inverno) leva as pessoas a ficarem em casa e isso é perigoso. Além disso, é a temporada de férias, quando as pessoas costumam viajar e se reunir para comemorar. É o momento perfeito para o espalhamento da ômicron, mas é muito ruim para nós.
BBC News Mundo: Quase a metade da população do planeta completou o esquema vacinal. Qual é o risco para as pessoas que ainda não foram vacinadas?
Swartzberg: Quando pessoas que não têm imunidade contra esse vírus são infectadas, elas se tornam fábricas de vírus; eles produzem bilhões de partículas virais. E se as pessoas são fábricas de vírus, elas se tornam fábricas de variantes, porque algumas dessas bilhões de partículas virais serão uma variante.
A maioria das variantes não tem êxito, mas algumas terão. Esse é claramente o nosso problema. Não temos pessoas suficientes com imunidade, o que permite que o vírus continue a encontrar um lar em humanos que funcionam como fábricas virais para produzir mais partículas virais, e isso significa mais variantes.
A única maneira de quebrar esse ciclo é vacinar os humanos a uma taxa muito maior do que temos em todo o mundo hoje. É inútil para os EUA vacinarem toda a sua população se o restante do mundo não for vacinado. O vírus não reconhece nacionalidades. Ele simplesmente procurará e encontrará humanos para infectar. Onde quer que estejam, ele estará lá; nos Estados Unidos, na América do Sul, na África ou em qualquer outro lugar.
BBC News Mundo: O que o senhor espera de uma variante futura? Deve ser menos prejudicial do que a ômicron?
Swartzberg: Geralmente, um vírus respiratório me faz espirrar e tossir, mas não me faz sentir muito mal, porque se eu tiver febre alta, dores terríveis no corpo e não conseguir sair da cama, não infectarei outras pessoas. Se os sintomas forem mínimos, mas só produzir tosse e espirros, ainda assim irei trabalhar e fazer coisas com outras pessoas. Isso espalha o vírus e é o seu cenário ideal.
Se com a ômicron o coronavírus evoluiu para um vírus menos sério, essa evolução pode continuar e se tornar mais benigna. Seria uma coisa muito boa.
CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,
Variante ômicron do coronavírus foi detectada pela primeira vez na África do Sul
BBC News Mundo: A ômicron pode ser então o prelúdio para transformar a pandemia em endemia?
Swartzberg: Pode ser. Dependerá de quão benigna é a doença que causa. Não é possível prever qual será seu comportamento além de dois meses, mas uma possibilidade é que a ômicron seja tão transmissível que infecte quase todo o planeta. E se não se tornar uma doença realmente séria, pode se tornar endêmica.
Mas meu palpite é que a ômicron será primeiro substituída por outra variante, que estará mais sujeita a se tornar uma infecção endêmica. Em qualquer caso, este vírus, o SARS-CoV-2, tem muitos truques na manga, continua a mostrar esses truques e continua a surpreender-nos. Não tenho ideia de quanto tempo vai demorar, mas sei que vamos chegar lá.
BBC News Mundo: Até quando o senhor acredita que os casos, hospitalizações e mortes por Covid-19 deveriam ser contabilizados?
Swartzberg: Enquanto for uma doença grave e ameaçar a capacidade de nossos sistemas de saúde, devemos monitorá-la de perto em relação a esses três parâmetros. Uma vez que se torne uma doença muito mais benigna, não ameace a capacidade de nossos hospitais e tenhamos muito menos mortes, podemos relaxar.
BBC News Mundo: Alguns antivacinas afirmam que a vacinação é inútil porque as pessoas vacinadas também ficam doentes e transmitem a doença. Qual é a sua opinião sobre isso?
Swartzberg: Vá a qualquer hospital agora ou a uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e veja quem está hospitalizado com covid. Existem entre 10 e 15 pacientes não vacinados para cada vacinado. É verdade que as pessoas podem contrair a infecção apesar de terem sido vacinadas e sim, estamos vendo mais infecções com ômicron nos vacinados, mais do que vimos com a delta (e, por sua vez, mais do que com a alpha). Tudo isso é muito verdadeiro. Mas essas infecções nos vacinados são muito menos graves e geralmente não levam as pessoas ao hospital.
Há 13 ou 14 meses, falávamos sobre o fato de que as vacinas precisariam de 50% de eficácia contra o contágio para serem aprovadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Algumas foram 95% eficazes, o que excedeu em muito as nossas expectativas. E não só isso. Elas também estavam evitando a transmissão, então estavam fazendo muito mais do que esperávamos, e todos estavam pensando: "Uau, isso é ótimo! Isso é o que podemos esperar das vacinas."
Francamente, essa era uma expectativa irreal e tem sido decepcionante que as vacinas não previnam infecções como gostaríamos. No entanto, felizmente, elas nos protegem contra hospitalização e morte.
BBC News Mundo: Algumas pessoas receberam duas doses, mas não querem mais uma terceira.
Swartzberg: Esta é uma pandemia em evolução, e nossa compreensão de como as vacinas funcionam melhor e como usá-las da melhor forma ainda está evoluindo. O fato de agora precisarmos de uma terceira dose é uma realidade. E podemos precisar de outra em seis meses ou um ano, dois ou 10. Ninguém tem a resposta neste momento.
De qualquer forma, acho que há uma boa chance de não precisarmos de outra dose por muito tempo depois da terceira. Mas essa é a realidade. Isso é o que precisamos entender.
Afinal, depois de algum tempo após receber as duas doses, a imunidade diminui e precisamos de uma terceira para continuar vivos e manter nossos entes queridos vivos. Então vacine-se. Podemos não precisar de uma quarta dose, mas é uma possibilidade e, se precisarmos, teremos que receber uma quarta dose. É isso que devemos fazer quando estamos no meio de uma pandemia.
A decisão de um hospital público situado no interior do Acre vem causando alvoroço entre os moradores. Trata-se do Hospital do Juruá, localizado em Cruzeiro do Sul. A direção da unidade de saúde resolveu restringir a realização de cirurgias eletivas somente a pacientes que tomaram as duas doses contra a Covid-19
Essa é a exigência para quem desejar passar por retiradas de vesícula e hérnia, por exemplo, as cirurgias eletivas, aquelas que são agendadas e sem caráter de urgência. A informação foi confirmada ao ac24horas pelo diretor clínico da unidade hospitalar, Elcimar Reis.
“A decisão da direção em reunião de julho foi que, para internar para as cirurgias eletivas, só se a pessoa tiver com duas doses de vacina”, esclarece. As cirurgias eletivas foram retomadas em agosto deste ano, devido à redução dos casos de Covid-19. Em setembro, de 30 cirurgias, 10% do total haviam sido feitas e a previsão é concluir as intervenções cirúrgicas represadas até junho de 2022.
Mas segundo o diretor, além da falta de vacinas, outro problema é a falta e o atraso dos pacientes agendados. Muitos não comparecem e outros chegam atrasados.
“Pedimos que as pessoas compareçam e cheguem na hora marcada que é às 6:30 horas para que o corpo médico e de enfermagem possa oferecer o melhor serviço. Se houver atraso e se o caso não for urgente, o paciente vai para o final da fila”, conclui.
Quatro cirurgiões atuam nos procedimentos eletivos, que são considerados sem urgência. A maioria da lista de espera, segundo o diretor Elcimar Reis, é de vesícula e de hérnias.
As cirurgias deixaram de ser realizadas em abril de 2019, por causa da pandemia de coronavírus e foram retomadas em agosto. Mas antes mesmo da pandemia já estavam em ritmo lento.
O médico infectologista e professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Thor Dantas, saiu em defesa da vacinação contra a covid-19 em crianças de 5 a 11 anos de idade. Dantas usou como exemplo os Estados Unidos, especificamente a cidade de Nova York em que o número de crianças hospitalizadas pela covid aumentou.
“O número de crianças em NY hospitalizadas com Covid19 aumentou 4x nas últimas 3 semanas. Efeito da variante ômicron e da baixa vacinação nessa faixa. A história costuma se repetir”, disse o médico.
E reforçou a necessidade da vacinação no Brasil contra a doença para esta faixa etária. “Lá as autoridades insistem para os pais vacinarem seus filhos! Aqui deveríamos fazer o mesmo!”.
Recentemente, mesmo após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendar a aplicação da vacina da Pfizer para este grupo, o governo federal determinou a abertura de consulta pública no site do Ministério da Saúde. A consulta vai até o dia 2 de janeiro.
“A consulta vai ampliar a discussão e a colaboração de todos no processo de enfrentamento da pandemia de Covid-19. É com responsabilidade que as ações do Governo Federal são tomadas, principalmente quando tratam da segurança de nossas crianças”, afirmou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.
Quem tem procurado as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) para se consultar em Rio Branco tem avistado grande quantidade de pessoas à procura de atendimento. Os sintomas são parecidos: tosse, dor de cabeça, febre alta e diarreia. Trata-se de um surto de gripe que tem acometido muitas pessoas na capital acreana, entre adultos e crianças de todas as faixas etárias.
A direção da UPA Via Verde lembra que, além do surto, outro prejuízo é a greve dos médicos na rede municipal, que apesar de respeitar o percentual de 90%, acaba “empurrando” mais gente para as UPAS. “Hoje é mais um dia que estamos completamente lotados. Por incrível que pareça, estamos recebendo mais adultos. A nossa UPA está no limite, já que sem o município, a situação fica muito complicada”, destaca Dora Vitorino, gerente geral da UPA Via Verde.
De acordo com a direção, a média de atendimento diário é de 250 pacientes. Com o surto de gripe, esse número aumentou em 50%. Na UPA Franco Silva, localizada na região da Sobral, a situação não é diferente. Na manhã desta segunda-feira, 20, havia fila até para conseguir entrar na unidade. Michela Lemos, diretora da unidade de saúde, conta que o aumento foi muito grande.
“Aumentou muito, tanto que consegui uma tenda para colocar do lado da fora. O que a gente pede é que a população tenha compreensão, porque nós estamos com o número normal de médicos atendendo, mas a procura é muito grande”, explica. Na UPA Franco Silva, duas semanas atrás, o número médio de atendimento diário foi 281 pacientes, na última semana esse número saltou para 411.
Mas se engana quem pensa que a demora de atendimento é apenas nas unidades públicas. Quem tem plano de saúde também tem encontrado dificuldade para ser atendido por conta do surto de gripe. A servidora pública, Daigleíne Cavalcante, levou o filho neste domingo, 19, ao hospital particular Urgil, e se deparou com a unidade completamente lotada e apenas uma médica fazendo o atendimento. “É um absurdo você pagar um plano de saúde tão caro e ficar horas esperando por uma consulta ou um retorno”, disse. A dica médica para quem sentir os sintomas da gripe ou virose é procurar uma unidade de saúde e se manter sempre bastante hidratado, principalmente no caso de crianças e idosos. A médica Carolina Pinho, especialista em medicina de família e comunidade e pós-graduada em geriatria, é diretora do Pronto-Socorro e afirma que desde a segunda quinzena do mês de novembro, os casos de síndrome gripal têm aumentado significativamente.
Segundo ela, o ideal é que se mantenham os cuidados rotineiros do último ano, como uso de máscara, cuidado com higiene das mãos e evitar aglomeração. “Pedimos à população que os casos com sintomas leves procurem atendimento nas URAPs e Postos de Saúde ou UPAs; pois o Pronto Socorro é a referência para doenças graves que ameaçam a vida, como infarto e AVC. Alertamos também aos pais que as crianças devem ser atendidas nas unidades próximas de casa e evitem trazê-las para o Pronto Socorro, pois atendemos outras doenças contagiosas e graves, assim protegemos os pequenos”, declarou.
Artigo publicado pela Universidade Federal de Alagoas afirma que o uso do medicamento aumentou a resistência do parasita que causa a doençaP
Pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas publicaram um artigo em que eles associam um surto de sarna em Pernambuco ao uso indiscriminado de ivermectina, informa a Folha.
“O texto, produzido pelos pesquisadores Alfredo Oliveira-Filho e Sabrina Neves, ambos do IEF (Instituto de Ciências Farmacêuticas), e pelos estudantes Lucas Bezerra e Natália Alves, afirma que entre os elementos para o crescimento da resistência do Sarcoptes scabiei (parasita que causa a sarna humana) à ivermectina no Brasil estão a alta no consumo do medicamento e o aumento da dose na tentativa de tratar a Covid-19”, destaca o jornal. Os primeiros casos surgiram no início de outubro em Recife, em Camaragibe e Paulista, mas se intensificaram no mês passado. O vermífugo, usado para tratar de sarna e piolho, é um dos medicamentos do chamado kit-Covid tão propalado por Jair Bolsonaro e seus amigos negacionistas.